sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Inauguração do Novo Centro de Saúde da Madalena - Publicado no Jornal do Pico a 12 de setembro de 2014

Inauguração do Novo Centro de Saúde da Madalena

Foi inaugurado no passado dia 6 o Novo Centro de Saúde da Madalena. Por questões de agenda não me foi possível estar presente. Contudo, tal em nada diminuiu a minha satisfação por ver inaugurada uma obra pela qual eu e o Dr. Hernâni Jorge, enquanto Deputados, muito lutamos.

Maior ainda foi a minha satisfação ao ler no discurso de Sua Exa. o Presidente do Governo Regional dos Açores; “Assim, e para o cabal aproveitamento da capacidade desta nova infraestrutura, o Governo pretende que, em articulação com o Hospital da Horta, este novo Centro de Saúde possa disponibilizar, 24 horas sobre 24 horas, os serviços de um médico de medicina interna tendo em vista dar resposta às situações de urgências agudas e dar apoio aos internamentos, evitando-se, por esta via e sempre que possível, um grande número de deslocações de doentes.” …“Por outro lado, já foram transmitidas ao Senhor Secretário Regional da Saúde orientações no sentido de ser apresentada uma proposta de solução de raiz para o Centro de Saúde das Lajes do Pico, de forma a que, em face disso, seja decididos os exatos contornos da intervenção que, em qualquer circunstância, aí vamos realizar.”” Estamos também já a trabalhar na instalação de uma secção destacada de bombeiros na Zona da Piedade, dotada com a respetiva ambulância, o que permitirá uma melhor cobertura de emergência a essa zona da ilha”.

No discurso de Sua Exa. o Presidente do Governo Regional dos Açores estão referenciados, quase na totalidade, os aspetos que no artigo com o título “ A Saúde no Pico”, por mim publicado neste jornal há cerca de quatro meses atrás, elenquei como indispensáveis para um bom funcionamento do serviço público de prestação de cuidados de saúde nesta Ilha.
Lembro o que então escrevi:

·        Serviço de Urgência centralizado e com os meios técnicos e humanos indispensáveis para fazer face à urgência médica com pequena unidade de cuidados intensivos e suporte de vida;

·        Bloco operatório destinado a apoiar o serviço de urgência bem como a assegurar as cirurgias ambulatórias de toda a ilha e o apoio a exames que requeiram sedação/anestesista;

·        Bloco de partos e apoio de chamada nas 24 horas;

·        Serviço de Medicina Interna devidamente dimensionado para assegurar apoio de internamento à urgência e a patologias que, não necessitando de especialidade, não caibam no âmbito dos internamentos de retaguarda tipicamente efetuados nos centros de saúde;

·        Serviço de Imagiologia centralizado, dispondo para além da radiologia clássica e ecografia de TAC;

·        Laboratório de exames clinicas centralizado com âmbito de ilha e apoio contínuo ao Serviço de Urgência.

E ainda:

·        Aquisição de ambulância, a colocar na Piedade, com vista a cobrir as freguesias do extremo leste da Ilha;

·        Criação de uma extensão de saúde na Piedade, com consultas diárias. Lembro que o novo edifício da Segurança Social da Piedade, com terreno adquirido e projeto em fase da aprovação na Câmara Municipal das Lajes do Pico, ambos integralmente pagos pelo Governo Regional, por solicitação desse mesmo Governo regional, contempla um gabinete médico, um gabinete de enfermagem e uma sala de atendimento e espera.

Estou certo ser também entendimento de Sua Exa. o Presidente do Governo Regional dos Açores que, sem estarem satisfeitas estas condições, a prestação pública de cuidados de saúde no Pico não só não melhorará como, em termos de funcionamento dos outros dois Centros de Saúde, pouco ou nada se poderá alterar.


Não será possível implementar todos os serviços indispensáveis num único dia. Contudo, passo a passo, lá chegaremos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

“Cancelamento de viagem por motivos climatéricos não é assunto político”, afirmou Lizuarte Machado

          “O PSD veio à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, através do senhor deputado João Bruto da Costa, procurar criar um facto político, assente na impossibilidade técnica da realização de uma viagem de um navio”, lamentou Lizuarte Machado.
          O deputado socialista falava esta quinta-feira, no Parlamento Açoriano, na sequência de um voto de protesto pelo cancelamento da viagem do navio Santorini entre a Terceira e o porto da Graciosa, no passado dia 8 de setembro.
            Lizuarte Machado – Comandante da Marinha Mercante e especialista em transportes marítimos – esclareceu que “o cancelamento da partida do navio Santorini constitui uma questão técnica e não política”, adiantando que “cabe ao comandante do navio decidir se estão ou não reunidas as condições de segurança para poder operar”.
            O deputado socialista explicou que “um navio como o Santorini apresenta uma grande área vélica, ou seja, faz uma grande resistência lateral ao vento” e lembrou que a previsão dos ventos para o passado dia 8 de setembro era de “vento de norte, que corre perpendicular ao porto, entre 22 e 25 nós”.
            Na opinião de Lizuarte Machado, o “comandante do Santorini decidiu cancelar a viagem e decidiu bem” porque a prioridade deve ser sempre a “segurança do navio, da tripulação e dos passageiros que estão a bordo”. “Não há nenhum reparo a fazer ao procedimento do comandante do navio, que apenas cancelou a viagem no próprio dia de manhã e não na véspera, como alguém afirmou”, frisou.

          “A estratégia encetada pelo PSD/Açores, se é que se lhe pode chamar isso, falhou porque ficou claro para todos os outros partidos com assento parlamentar nos Açores que não havia qualquer motivo para discussão política do assunto”, Lizuarte Machado.  

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A SAGA DO N/M “ ATLÂNTIDA” - Publicado no Jornal do Pico a 14 de Agosto de 2014


A SAGA DO N/M “ ATLÂNTIDA”

Depois de duas Comissões de Inquérito – uma na Assembleia Regional e outra na Assembleia da República – os representantes do povo, por ignorância ou miopia político-partidária, não foram capazes de concluir o óbvio esquecendo ser esse o seu dever.

Em 2006, lançou a Empresa Pública regional ATLÂNTICOLINE dois concursos públicos, sendo um:

Concurso Público Internacional n.º 1/2006 – construção de navio com capacidade mínima para 790 pessoas e 140 viaturas – preço base 39.950.000,00 €, cláusula 22ª. do Contrato;

 

Eram peças dos concursos os Cadernos de Encargos dos quais faziam parte os Arranjos Gerais e as Memórias Descritivas.

 

De realçar que os Arranjos Gerais e as Memórias Descritivas eram, nos termos do contrato, elementos meramente indicativos – ponto 1 da cláusula 4ª. do contrato – cabendo a quem ganhasse os concursos o desenvolvimento dos respetivos projetos.

 

Relativamente a estes dois concursos, estava convicto que os mesmos ficariam vazios – não foi por acaso que os ENVC ficaram sozinhos – porque, tendo por base os elementos disponíveis, era minha convicção, infelizmente confirmou-se, que muito dificilmente se conseguiria construir os navios definidos nos contratos.

 

O contrato foi celebrado a 21 de setembro de 2006.

 

Logo que de tal tive conhecimento, remeti em 4 de outubro de 2006 ao então Secretário Regional da Economia, documento escrito, no qual, entre outras coisas, chamava a atenção para:

 

1-   Concurso Público Internacional n.º 1/2006 – construção de navio com capacidade mínima para 790 pessoas e 140 viaturas.

 

A definição das características principais do navio e da especificação das variáveis de operação contêm, por um lado, inúmeras lacunas e, por outro lado, exagerada definição de equipamentos os quais só poderão e deverão ser definidos após o desenvolvimento do Projeto;

Existem situações de conflitualidade entre o Caderno de Encargos e o Programa do Concurso, nomeadamente no que diz respeito à definição de camarotes, autonomia do navio, requisitos de manobrabilidade, etc.;

Impossibilidade de o navio ultrapassar os 17 nós;

Etc.

 

 

Fase de construção.

 

A fase de construção foi tudo menos normal e iniciou-se ilegalmente já que no ponto 2 da cláusula 4ª. do contrato lê-se: “ A SEGUNDA OUTORGANTE obriga-se a submeter o projeto de construção do navio à aprovação das competentes entidades nacionais, à Sociedade de Classificação e à PRIMEIRA OUTORGANTE, não podendo a construção ser iniciada sem que seja aprovado o projeto de construção elaborado a partir dos ensaios em tanque.” Este foi o primeiro momento em que o contrato deveria, ainda sem prejuízos para qualquer das partes envolvidas, ter sido denunciado. Apenas em 2007, deram entrada no IPTM os primeiros elementos relativos ao navio, os quais tiveram da parte deste parecer desfavorável.

 

Contratualmente e de acordo com a Memória Descritiva visada pelo Tribunal de Contas, o navio “ATLÂNTIDA” destinava-se ao tráfego internacional/Internacional Voyage utilizando como combustível HFO/óleo combustível pesado.

 

Foi elaborada e assinada uma segunda Memória Descritiva na qual se constata que:

O navio passou a Short Internacional Voyage. Tal implica que o navio só poderá navegar entre portos que não distem mais de 200 milhas náuticas, podendo ter menos embarcações salva-vidas;

O combustível passou a marin diesel;

Para obtenção da velocidade de 19 nós, reduziu-se a margem de mar de 15% para 5% com implicações diretas no desgaste dos equipamentos propulsores e no aumento do consumo.

 

Esta nova Memória Descritiva, para além de provocar um aumento significativo dos custos de exploração, não tem validade legal, sendo que a receção do navio só poderá ser efetuada com a Memória Descritiva visada pelo Tribunal de Contas.

 

Em 29 de dezembro de 2006, 8 de janeiro de 2007 e 19 de fevereiro de 2008, foram assinados os primeiros aditamentos ao contrato. Por falta de espaço, não analisarei estes aditamentos. Contudo, os mesmos têm muito que se lhe diga.

 

Em 21 de dezembro de 2007, o IPTM alerta para o facto de, para além de faltarem lugares para os passageiros se sentarem, também haver graves problemas na compartimentação dado terem considerado o fator de compartimentação 1 ­– existência de embarcações salva-vidas a cada bordo para 50% dos passageiros embarcados. Como tais embarcações não existiam e não se podiam instalar, teriam de passar o fator de compartimentação a 0,5 (regra 6.5.1 capitulo II-1 da SOLAS), isto porque o “ATLÂNTIDA” só tinha a cada bordo embarcações salva-vidas para 35% dos passageiros embarcados. Na prática, só tinham considerado um compartimento alagado quando deviam ter considerado dois.

 

Em 29 de agosto de 2008, foi assinado o quarto aditamento ao contrato. Este aditamento incluía algumas questões mais ou menos irrelevantes, sendo porém duas muito relevantes:

Alteração da compartimentação cuja responsabilidade é do estaleiro pois deriva dos problemas do projeto;

Alteração do prazo de entrega para 30 de setembro de 2008.

 

Nesta fase muito complicada da construção, eram tantos os problemas que este aditamento só pode ter tido como objetivo preparar, a todo o custo, a receção do navio sem ter em consideração as questões técnicas.

 

 

Os problemas nesta fase são verdadeiramente dramáticos. Reiniciam-se os trabalhos de recompartimentação e de equalização, sem aprovação prévia por parte de Sociedade Classificadora e do IPTM.

 

No seguimento do atrás referido, foi pedido parecer à Det Norske Veritas-DND com o seguinte objetivo; Avaliação do sistema de equalização e das condições de equilíbrio final em situação de avaria.

 

No parecer da DNV pode ler-se:

 

Os cálculos foram inexplicavelmente mal feitos. Mais uma vez está em causa a incompetência do Gabinete de projeto dos ENVC;

Nestes cálculos devem ser utilizadas as curvas de mínima GM ou seja da GM intacta corrigida com o efeito do embarque de água (perda de impulsão, aumento de imersão, variação do centro de gravidade, correção do efeito de espelho líquido, etc.);

Como por erro, grosseiro e inexplicável, do Gabinete do Projeto dos ENVC se utilizaram para efeito de cálculo as curvas de GM intacta (situação normal e sem avaria) empolaram artificialmente a GM mínima, para a condição de full draft (máxima imersão) em valores que variavam entre 1,6 metros e 2,0 metros. Tal teve como resultado que para baixar o centro de gravidade e recuperar a estabilidade, intacta e em avaria, houve que embarcar lastro aumentado a imersão, o deslocamento e o respetivo calado – colocando limitações de operação em alguns portos – e reduzindo, drasticamente, a velocidade.

 

Como o desenvolvimento do projeto era da responsabilidade dos ENVC e esta é uma falha muito grave, tornou-se na principal razão para aqueles assumirem toda a responsabilidade.

 

 

Como resultado, o navio tem graves problemas para satisfazer os requisitos da SOLAS relativos à estabilidade em avaria (SOLAS Cap. II-1 Parte B regra 8).

 

A título de exemplo, para embarcar lastro fixo até resolver o problema de estabilidade, reduzir-se-ia o número de carros transportados de 140 para 30.

 

Em 31 de agosto de 2008, foi levada a cabo uma prova interna de estabilidade da qual se concluiu que:

 

O deslocamento leve era superior ao projetado em cerca de mais 370 toneladas;

O centro de gravidade estava, relativamente ao projetado, subido cerca de 600 mm;

O navio não cumpria com os critérios de estabilidade intacta e muito menos em avaria.

Menos porte;

Menos velocidade;

Mais consumo de combustível;

Mais custos de exploração.

 

Todos estes problemas são consequência da forma inadequada como foi desenvolvido pelos ENVC o projeto e o processo construtivo e são da exclusiva responsabilidade daqueles.

 

Na minha modesta opinião, a partir daqui, o navio começa a atingir contornos de sucata, como o comprova o valor pelo qual foi vendido. Estamos pois perante nova oportunidade de denunciar o contrato.

 

Como consequência de tudo isto, em 15 de dezembro de 2008, remeti ao novo Secretário Regional da Economia um documento escrito em que resumidamente chamava a atenção, entre outras coisas, para:

 

Relativamente a esta construção, foi pelo Presidente do Conselho de Administração do referido estaleiro proferida a seguinte afirmação: " Essa história do navio dos Açores é uma história muito triste, o projetista fez um mau trabalho e uma série de disparates, os estaleiros estão a estudar uma solução para apresentar ao Governo Regional, para verificar se, com as alterações, vão conseguir gerir o navio ".

Juntando esta afirmação a outras informações públicas, porque veiculadas em diversos órgãos de comunicação social, confirmadas e/ou não desmentidas pela ATLÂNTICOLINE, podemos facilmente constatar o seguinte:

Seja o que for que esteja a acontecer com esta construção, é muito grave;

Para a Região, a preocupação centra-se na última parte da afirmação proferida pelo Presidente do Conselho de Administração do Estaleiro ou seja, "…, para verificar se com as alterações vão conseguir gerir o navio ";

Desta parte da afirmação resulta, claramente, que as preocupações da Região se devem centrar nos critérios operacionais, já que são esses que colocam, ou podem colocar, limitações e /ou entraves à gestão comercial e /ou operacional do navio;

Das anomalias detetadas e deficientemente corrigidas – no início de dezembro ainda não tinham sido aprovadas pelo IPTM – resulta claramente uma profunda diminuição da fiabilidade do navio e um aumento brutal dos custos de exploração;

 

Resumindo; É possível concluir, sem qualquer margem para dúvidas, que o navio "ATLÂNTIDA":

Não é fiável;

Não cumpre com os critérios operacionais;

Terá limitações devidas a excesso de calado;

Verá agravados os custos de exploração, fixos e variáveis;

Qualquer tentativa apressada para o receber agravará todos estes problemas.

 

Nesta fase, porque eram os ENVC o único responsável pelos "estragos" - pese embora alguma conivência da ATLÂNTICOLINE - vejam-se os aditamentos, na minha modesta opinião, deveria a Região colocar a máxima pressão possível sobre aqueles, dando indicações claras sobre a possibilidade de não receber o navio, até porque a generalidade das graves deficiências detetadas eram impossíveis de solucionar na fase em que se encontrava a construção.

Face a todos estes problemas que levaram ao incumprimento do contrato por parte dos ENVC, as partes envolvidas – Estaleiros Navais de Viana do Castelo e Atlânticoline – acordaram por fim à relação contratual, decisão que foi homologada pelo Tribunal Arbitral e que, por isso mesmo, tem força de sentença judicial.

 

Não deixa de ser curioso que a partir da tomada de posse do Governo Regional saído das eleições regionais de 2008, deixaram de haver aditamentos duvidosos e situações menos claras e passou a vigorar, exclusivamente, o que estava contratualizado.

 

Não me querendo pronunciar sobre o processo de concessão dos ENVC que desconheço creio ser possível concluir que não foram os trabalhadores dos ENVC que destruíram a empresa. Os trabalhadores são, nas suas diferentes especialidades, dos melhores do mundo. Também não foram os casos ATLÂNTIDA e ANTICICLONE quem destruiu a empresa, embora tenham dado algum contributo. Na verdade quem destruiu os ENVC foram vários “boys” partidários, incompetentes e irresponsáveis, que, desde a nacionalização, foram sucessivamente nomeados para a administração pelos partidos no poder.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

História recente da SATA - publicado no Jornal do Pico a 18 de julho de 2014


História recente da SATA

Quando em 1996, o Partido Socialista ganhou as eleições regionais a SATA era uma pequena empresa, operando exclusivamente inter-ilhas, técnica e financeiramente falida.

Com a criação da SATA-Internacional e a implementação de um bem estruturado plano estratégico, o grupo expandiu-se, consolidou-se enquanto em simultâneo revolucionava as acessibilidades, em termos de frequências e preços. O crescimento do grupo SATA foi de tal modo importante que pode mesmo ser considerado um case study.

Embora existissem antes de 1999 Obrigações de Serviço Público, só a partir de janeiro desse ano, com a entrada no mercado da SATA-Internacional, é que as rotas passaram a ser diferenciadas. Antes, havia apenas a obrigação genérica de voar para as três gateways então existentes.

Em 2005, entraram em vigor novas Obrigações de Serviço Público as quais contemplaram a possibilidade de operação em regime de codeshare o que permitiu que as taxas de ocupação tivessem um valor aceitável e da ordem dos 75%.

Em finais de 2007, a SATA tinha excedentes com provisões de 21M para a compra dos novos aviões, 9M de provisões para manutenção e o Fundo de Pensões estava equilibrado. A partir desta data, coincidência ou talvez não, tudo começou a mudar.

Em 2008 a atualização salarial dos Pilotos da SATA- Internacional foi de 18%, do Pessoal de Cabine foi de 35% e do Pessoal de Manutenção da SATA- Air Açores foi de 25%. Não quer isto dizer que o Pessoal do Grupo SATA ganhe muito até porque, como é sabido, os custos por trabalhador são inferiores aos da TAP. O problema é que as receitas por trabalhador na SATA- Air Açores são inferiores a 100€ e os custos com pessoal em percentagem da receita são de 45%; enquanto na TAP são de 21,5%. Claro que tal é compreensível na SATA- Air Açores – vários aeroportos deficitários e um grande e indispensável volume de mão-de-obra. É por isso que é feita a compensação através do pagamento das Obrigações de Serviço Público.

Bem diferente é a situação da SATA-Internacional. Nesta empresa, as receitas por trabalhador são superiores às verificadas na TAP e os custos com pessoal em percentagem da receita são inferiores aos também verificados na TAP. Assim sendo, as justificações para os maus resultados não colam até porque já em 2010 a SATA tinha ido à Banca para pagar salários, facto é que não é certamente alheio o crescimento, em três anos, de cerca de 200 colaboradores, sem que se tenha registado qualquer alteração ou crescimento na atividade da empresa.

Constata-se pois que, à alteração do Conselho de Administração no final de 2007, se seguiu um período de gestão à vista, sem nexo nem sentido; esquecendo o plano estratégico que até então tinha sido escrupulosamente seguido, e bem, e sem o qual não é possível gerir responsavelmente uma empresa, seja ela qual for.

A falta de um Plano Estratégico, cuja concertação e validação é responsabilidade do acionista, deu início à doença crónica que o Grupo SATA vem vivendo e continua a viver. Fala-se agora que o mesmo será encomendado ao exterior. Será que ainda não se percebeu que do exterior, nesta como em outras áreas, não vêm milagres e que teremos que ser nós Açoreanos a definir os nossos objetivos e a fazer o trabalho de casa?

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Assembleia Regional dos Açores, 10 de julho de 2014 - Voto de Congratulação relativo à atleta Maria João Silva



VOTO DE CONGRATULAÇÃO

  
Maria João da Câmara da Silva nasceu na Freguesia da Calheta do Nesquim, Concelho de Lajes do Pico, a 17 de outubro de 1975.

Iniciou-se, em 2007, no Desporto Adaptado através da modalidade de Atletismo no Centro de Atividades Ocupacionais da Santa Casa da Misericórdia da Madalena, entidade que celebrou com a Direção Regional do Desporto, um protocolo no âmbito do Programa de apoio ao desenvolvimento do Desporto Adaptado.

Na época desportiva 2007/2008 participou, na Ilha do Pico, no Torneio de Atletismo Adaptado, resultados não homologados.

Na época desportiva 2008/2009 participou no V Torneio de Atletismo Adaptado, na ilha Terceira, com organizão da Associão Cristã da Mocidade, tendo obtido o lugar na prova de 100 metros.

Na época desportiva 2009/2010 participou no VI Torneio de Atletismo Adaptado, em S. Miguel onde obteve o 1º lugar na prova de 100 metros e o 1º lugar na prova de 400 metros marcha, sendo o primeiro ano que nos Torneios de Atletismo oriano se dividiu os atletas por três escalões, nomeadamente, atividade adaptada, competição adaptada e Síndrome de Down, sendo este último o escalão em que a Maria João se enquadra;

- Participou no Campeonato Nacional Individuais de Atletismo na Mealhada, de15 e 16 de Maio de 2010, obtendo o Lugar na prova de 400 metros marcha feminino e o 2º lugar na prova de 100 metros feminino;

- Selecionada para a Seleção Nacional de atletas com Síndrome de Down, com participação no Campeonato do Mundo de Atletismo Síndrome de Down em Puerto Vallarta, México, de 7 a 12 de Setembro 2010. Sagrou-se Campeã Mundial nas provas de 400 metros e 1500 metros marcha e classificou-se em 4º lugar no lançamento do dardo e lugar no lançamento do disco.


Na época desportiva 2010/2011 participou nos Campeonatos de Portugal de Atletismo Pista Coberta (Torneio Nacional Adaptado) dia 19 de Fevereiro, em Braga no Pavilhão de Exposições, onde se classificou em lugar nos 1000 metros marcha, qualificando-se, novamente, para a Seleção Nacional de Síndrome de Down e conquistando o lugar no lançamento do peso;


- Participou no VII Torneio Regional de Atletismo Adaptado, nos dias 7 e 8 de Maio, no estádio João Paulo II na Ilha Terceira, classificando-se em lugar no laamento do peso e em lugar nos 1500 metros marcha, Síndrome de Down, batendo o seu recorde pessoal;

- Participou no Torneio Nacional Adaptado, dias 21 e 22 de Maio, na Pista do Centro de Estágios Municipal do Luso Mealhada, classificando-se em lugar nos 1500 metros marcha, e em 2º lugar no laamento do peso;

- Participou no Campeonato da Europa de Atletismo Síndrome de Down Cagliari, Sardenha, Itália 3 a 5 de Junho. Obteve o lugar nos 400 metros marcha, com novo recorde, o 1º lugar nos 1500 metros marcha, também com novo recorde do mundo conquistando ainda o lugar no lançamento do disco.

Na época desportiva 2011/2012 participou nos Campeonatos de Portugal de Atletismo Pista Coberta (Torneio Nacional Adaptado) dia 04 de Fevereiro de 2012, em Braga no Pavilhão de Exposições, onde se classificou em 1º lugar nos 800 metros marcha, qualificando-se, novamente, para a Seleção Nacional de Síndrome de Down e conquistando o 3º lugar no lançamento do peso;

- Participou no Torneio Nacional Adaptado, dias 28 e 29 de Abril, na Pista do Centro de Estágios Municipal do Luso Mealhada, classificando-se em lugar nos 1500 metros marcha e nos 800 metros marcha, em lugar no lançamento do peso e nos 400 metros planos;

- No Campeonato do Mundo de Atletismo Síndrome de Down na ilha Terceira, 15 a 21 de Maio 2012, sagrou-se Campeã Mundial com recorde do mundo em cada uma das provas – nos 800 metros, 1500 metros marcha e nos 4x400 metros;


Na época desportiva 2012/2013 participou no IX Torneio Regional de Atletismo Adaptado, nos dias 13 e 14 de abril, na Pista de Atletismo das Laranjeiras, classificando-se em 1º lugar no laamento do peso e em lugar nos 1500 metros marcha e em 2º lugar nos 100 metros planos, Síndrome de Down;

- Participou no Torneio Nacional Adaptado, dias 27 e 28 de abril, na Pista do Centro de Estágios Municipal do Luso Mealhada, classificando-se em lugar nos 1500 metros marcha, em 2º lugar no laamento do peso e nos 400 metros planos, Síndrome de Down;


- Participou no Campeonato da Europa de Atletismo Síndrome de Down Roma, Itália – 27 de junho a 1 de julho. Obteve o 1º lugar nos 800 metros marcha e nos 1500 metros marcha, lugar nos 1500 metros planos sagrando-se campeã da Europa nesta disciplina e 1º lugar nos 4x400 metros com novo recorde do Mundo. Para além destes excelentes resultados foi prata nos 4x100 metros e bronze no laamento do disco.


Na época desportiva 2013/2014, ainda em curso, participou no X Torneio Regional de Atletismo Adaptado, nos dias 29 e 30 de março, na Pista de Atletismo das Laranjeiras, classificando-se em 1º lugar no lançamento do dardo, em 1º lugar nos 1500 metros marcha e em 1º lugar nos 1000 metros planos, Síndrome de Down;

- Participou no Torneio Nacional Adaptado, dias 26 e 27 de abril, na Pista do Centro de Estágios Municipal do Luso Mealhada, classificando-se em lugar nos 1500 metros marcha e nos 1000 metros planos, e em 2º lugar no lançamento do dardo, Síndrome de Down;

- Participou no Campeonato de Atletismo da Europa a 24 e 25 de maio, na Pista Municipal da Póvoa de Varzim. Obteve o lugar nos 800 metros marcha (batendo o seu próprio recorde do mundo e estabelecendo novo tempo nesta disciplina), 1º lugar nos 1500 metros planos, mantendo o título de campeã da Europa nesta disciplina e 1º lugar nos 1500 metros marcha. Conquistou ainda a prata nos 4x400 metros e bronze no lançamento do disco.

Assim, nos termos do disposto nos artigos 71.º e 73.º do Regimento, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista propõe que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, reunida em Plenário no dia 10 de Julho de 2014, emita o seguinte voto:

A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores aprova o presente voto de congratulação à atleta Maria João Silva pela conquista no 3º Campeonato de Atletismo da Europa, que decorreu a 24 e 25 de maio, na Pista Municipal da Póvoa de Varzim, do lugar nos 800 metros marcha (batendo o seu próprio recorde do mundo e estabelecendo novo tempo nesta disciplina), do 1º lugar nos 1500 metros planos, mantendo o título de campeã da Europa nesta disciplina, do 1º lugar nos 1500 metros marcha, da conquista da prata nos 4x400 metros e do bronze no lançamento do disco, bem como pelos recordes mundiais que alcançou e por toda uma carreira desportiva cheia de sucessos.

Do presente voto deverá ser dado conhecimento à atleta e respetiva família bem como ao Centro de Atividades Ocupacionais da Madalena e à Direção Regional do Desporto.

Horta, Sala das Sessões, 10 de Junho de 2014


O Deputado Regional


Lizuarte Machado